André Cerqueira comenta adaptação de Equador, obra de Miguel Sousa Tavares, autor que estará no Flipipa
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| Minissérie Equador, sucesso da televisão portuguesa adaptada da obra de Miguel Sousa Tavares, está sendo exibida no Brasil pela TV Brasil |
Brasileiro com sotaque português, André Cerqueira coordenou todo o projeto de realização da série Equador, minissérie em capítulos exibida pela TV Brasil desde o dia 3 de outubro, e adaptada da obra do escritor e jornalista Miguel Sousa Tavares . Bem humorado, o diretor concedeu uma entrevista ao site da TV Brasil. Na conversa, ele fala das aventuras que envolveram as gravações e de como a série foi pensada. Diretor geral da produtora Plural, André já teve outras experiências no Brasil e, por isso mesmo, defendeu a dublagem de português de Portugal para ‘brasileiro’, afirmando ser necessária para a compreensão do público.
A série é baseada no livro homônimo do escritor português. Composta de 30 episódios repletos de romance, política, intrigas e imagens cinematográficas, a história foi rodada em cinco países, envolvendo 120 atores, quase 500 técnicos, milhares de figurantes e produzida pela TVI – Televisão Independente de Portugal.
Equador conta a história de Luís Bernardo, que é nomeado para o cargo de Governador Geral de São Tomé e Príncipe, na costa africana. Ele terá que mediar as relações entre os fazendeiros, acusados pela coroa britânica de praticar a escravidão, e o cônsul inglês David Lloyd Jameson. Essa relação se complica quando Luís Bernardo se apaixona pela mulher de David, Ann Rhys-More. Esse triângulo amoroso é o centro da trama que se passa na linda ilha equatoriana. A minissérie está sendo exibida de terça à quinta-feira, às 23h (22h no horário local), pela TV Brasil.
Como foi adaptar o livro Equador?
André Cerqueira: O Equador é um livro muito conhecido e muito vendido em Portugal. Esta era uma conversa antiga com o Miguel ( escritor e jornalista Miguel Sousa Tavares) de transitar a obra para TV, já que muitos portugueses tinham o livro. Foi uma audácia. E coube a mim, como diretor, conseguir fazer. Minha pergunta era como conseguir ser fidedigno ao livro, já que as pessoas que leram teriam uma imagem dele na cabeça.
Quais foram as dificuldades que tiveram durante a gravação da série?
André Cerqueira: Todas. A série se passa em São Tomé e Príncipe e lá não existem nem cavalos mais. Os brancos em São Tomé são embaixadores e não tínhamos condições de fazer com que os embaixadores fossem figurantes. Inicialmente, quando começamos a fazer as contas do Equador descobrimos que gastaria mais para levar cavalos, figurantes e estrutura para o país do que com a gravação propriamente da série. Foi nossa grande preocupação. Começamos, então, a buscar outros lugares. Por indicação do Miguel Sousa Tavares, viemos gravar no Brasil. Para ele, existiam lugares no Brasil que eram iguais a São Tomé e Príncipe. Além, claro, da Índia que também foi muito complexo.
Pela cultura, gravar na Índia não é muito fácil. Nós pegamos tempestades de areia, tivemos aventuras que estão frescas na minha cabeça até hoje, e gravamos há dois anos. Tem uma história absurda de uma tempestade de areia na India, em Jankipur, na cidade azul, aonde estávamos filmando. Fomos com uma equipe inteira para o Aeroporto, pegar um avião que demorava uma hora e meia até Nova Deli. Dali nós voaríamos para Lisboa. Disseram que havia uma tempestade de areia e que o avião não iria pousar.
Nós dissemos, tudo bem. E quando vem o próximo? – Na semana que vem taí, responderam. Como semana que vem? Como a gente sai daqui? – Se vocês não se importarem em emprestar um ônibus, pedimos. E nos disseram que seria umas 12 horas. Só que não foram 12 horas como num ônibus no Brasil. Foram doze horas entre vacas, camelos, elefantes. Todos no meio da rua à noite e o motorista desviando. Acho que foi uma das maiores aventuras que já passei.
Quanto tempo duraram as gravações?
André Cerqueira: Sem contar a pré-produção e a parte de computação gráfica, as gravações duraram um pouco mais de seis meses.
No seu depoimento, você afirma que a computação gráfica e a adoção de tecnologia de ponta ajudaram a reconstruir a época da série.
André Cerqueira: Há três anos não tínhamos a 5d e a tecnologia que hoje já experimentamos. Naquela época, era complexo pensar em reconstruir uma rua inteira em computação e do jeito que a gente queria fazer. A gravação em planos fixos para reconstituição é o jeito mais simples de fazer. Eu não fiz nenhum. O público não vai ver no Equador nenhum dos meus planos de gravação, nos quais foram reconstituídas ruas inteiras, com planos fixos. Eles têm sempre planos com movimento e planos de grua que, normalmente, não é somente um movimento linear, mas dois estilos de movimento. Isso para corrigir em 3D é uma miséria! Não é um plano fixo. Você apaga tudo e, em quatro segundos, está pronto. E como diretor optei em não facilitar nada para a correção do 3D. Mantivemos a série com movimentos. Uma série com estrutura de direção muito marcada e, ao mesmo tempo, mantendo a época e o detalhe nas gravações que nós queríamos.
[Entrevista reproduzida do site www.tvbrasil.org.br/equador]
Confira o making off da série baseada na obra de Miguel Sousa Tavares:
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