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Cooperativa Cultural e Sebo Vermelho farão lançamentos no Flipipa

Livraria da Cooperativa Cultural terá obras de autores das mesas literárias


A Cooperativa Cultural Universitária, que terá estande próprio para comercialização de livros no Flipipa, aproveitará o final das mesas literárias para a tradicional sessão de autógrafos com os autores convidados do evento. A cada encerramento de mesa, os autores seguem para o estande da livraria. Serão quatro debates por noite, com uma média de uma hora para cada mesa literária.  Na quinta-feira (22), por volta das 19h30 (após a mesa 2) o escritor e filósofo Antônio Cícero estará lançando seu livro “Porventura”. Depois das 21h30 haverá lançamento do livro “Crônicas para ler na escola” e “Sagrada família”, obras recentes de Zuenir Ventura.

Dia 23, por volta das 19h30 (após mesa 6), João Paulo Cuenca autografa o livro “O Único Final Feliz para uma História de Amor É  um Acidente”. Também haverá lançamento de “Dois rios”  e outros livros de Tatiana Salem Levy. Às 21h30, os leitores poderão autografar as obras “Páginas sem Glória” e “O livro de praga: narrativas de amor e arte” de Sérgio Sant'Anna. Na mesma noite haverá livro “Réveillon e outros dias” de Rafael Gallo, Prêmio Sesc Literatura 2012 na categoria Contos.

No sábado, 24, 18h30, lançamento do livro “O Rei e o Baião”  de Bené Fonteles. Às 20h30 (após a mesa 11)  a escritora Ana Miranda autografa seus livros “Boca do Inferno”, “Yuxin”  e  “Lig e a casa que ri”. Autor que vai encerrar o Flipipa, Luís Fernando Veríssimo vai autografar suas obras, incluindo a mais recente “Diálogos Impossíveis”. O público também poderá trazer seus livros de casa.

Já a editora Sebo Vermelho também terá estande próprio e vai lançar pelo menos três trabalhos novos. Na quinta-feira será o “Poesias Completas de Ferreira Itajubá”, reedição de um livro lançado originalmente em 1965 e há muito esgotado. No dia 23, reedição de uma pérola: a primeira biografia de Luiz Gonzaga que se tem notícia no Brasil. O livro “Luiz Gonzaga”, datado de 1952, é de autoria do potiguar Zé Praxedes e sua narrativa é em forma de poesia popular. No sábado haverá lançamento da obra inédita do etnógrafo Hélio Galvão, “Velhas Heranças”, reunindo as histórias das famílias da região de Tibau do Sul, Pipa, Goianinha, Arês, de 1705 a 1940. A organização é de Abmael Silva, com prefácio de Zé Arnon Galvão.

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Luís Fernando Veríssimo, um gênio conciso


"a crônica é a minha atividade principal, é o que paga o uísque das crianças e é nela que eu me sinto mais à vontade". Foto: Tribuna do Norte


Isaac Lira - Repórter/Publicada na Tribuna do Norte

Luís Fernando Veríssimo detesta ser o centro das atenções. Tímido confesso, a ideia de falar para uma multidão não parece, nem de perto, algo agradável. Contudo, por mais paradoxal que pareça, o escritor gaúcho será não somente "o centro das atenções", como uma das principais estrelas da quarta edição do Festival Literário de Pipa, a ser realizada entre os dias 22 e 24 deste mês, na mais famosa praia do litoral sul potiguar. Veríssimo fecha o festival, no dia 24, às 20h30. O título da mesa, por si só, seria capaz de provocar arrepios no tímido Luís Fernando Veríssimo.

O autor gaúcho é hoje um dos principais representantes da crônica brasileira. Com uma carreira bastante produtiva, Veríssimo também é um dos autores brasileiros que mais vende livros hoje, ficando atrás unicamente de Paulo Coelho. A verve popular é acompanhada de uma linguagem coloquial, objetiva e da exploração de temas do cotidiano. Todas essas características reunidas poderiam ser suficientes para explicar o sucesso de público e crítica do trabalho de Luís Fernando Veríssimo como cronista. Mas ele renega qualquer receita. "Não sei qual é a receita. São geralmente textos curtos, de leitura fácil, com humor, e alguns eventuais mergulhos mais profundos", diz, de forma concisa.

A concisão é uma característica cada vez mais presente nos textos de Veríssimo. Isso pode ser facilmente comprovado ao se acompanhar a produção semanal do autor, que publica crônicas nos maiores jornais da imprensa brasileira. O próprio Luís Fernando Veríssimo diagnosticou a mudança. "Meu texto ficou mais conciso, ou eu fiquei mais preguiçoso. Não sei", diz. Ao mesmo tempo em que percebe a mudança, ele não vê nisso uma tendência de produzir textos cada vez mais curtos.  "Ainda tem gente escrevendo colunas imensas, algumas diariamente, de sorte que não acho que esta  seja uma tendência geral", relata.

A mais recente publicação de Luis Fernando Veríssimo é uma coletânea de crônicas "Diálogos impossíveis". Já publicadas na imprensa, a seleção ficou a cargo do jornalista Artur Dapieve. No cardápio, conversas nada convencionais, como entre o Drácula e o Batman, que resolvem decidir qual dos dois é o morcego "do bem" e "do mal".

O senhor está lançando mais um livro de crônicas, sendo mais de 20 na carreira, se não estou enganado. Poderia falar um pouco sobre o livro? De onde ideias como a de promover uma conversa entre o Drácula e o Batman?

A seleção das cronicas, todos já publicadas na imprensa, foi do Arthur Dapieve, na editora Objetiva. Ele notou que algumas das cronicas eram sobre diálogos imaginários, e foi ele que deu o título do livro.

Até que ponto incomoda, se é que incomoda, o rótulo colocado por certa parte da crítica de que o senhor é melhor cronista que romancista? O senhor concorda com a avaliação?

Concordo. Não renego nenhum dos romances, mas acho que eles não tem muita importância.

Além disso, é possível estabelecer em qual dos dois gêneros o senhor se sente mais realizado artisticamente?
Acho que ninguém se sente realizado, está sempre pensando que pode fazer melhor. Mas a crônica é a minha atividade principal, é o que paga o uísque das crianças e é nela que eu me sinto mais à vontade.

O senhor disse em algumas entrevistas, recentemente, que o tamanho da crônica que escreve tem ficado menor. Na sua opinião, existe uma tendência mais generalizada em escrever menos, em ser mais conciso?

Meu texto ficou mais conciso, ou eu fiquei mais preguiçoso. Não sei. Mas ainda tem gente escrevendo colunas imensas, algumas diariamente, de sorte que não acho que esta seja uma tendência geral.

Há quem perceba esse movimento como um empobrecimento do texto, da literatura. Concorda?

Não concordo. O tamanho do texto não determina a sua qualidade. Sempre cito o exemplo do Rubem Braga, que raramente passou do tamanho normal de uma coluna e mesmo assim foi um dos nossos maiores escritores.

Com a internet, a quantidade de textos falsos atribuídos a autores conhecidos é impressionante. Alguns não estão mais aqui para se "defender", como Clarice Lispector e Caio Fernando Abreu. Outros, como o senhor e Arnaldo Jabor, podem reclamar e até desmentir a autoria. Dizer que de fato o texto não é seu surte algum efeito? Por outro lado, já leu algum desses textos falsos com alguma característica realmente presente na sua obra? Sentiu vontade ter escrito algum deles?

Alguns textos apócrifos são bons, recebo muitos elogios por eles. E pelo menos até agora nenhum me criou problemas maiores, como difamar alguém.

Não é segredo para ninguém, o senhor é tímido. Mas ao mesmo tempo irá falar para uma plateia numerosa no Festival Literário em Pipa. Com o passar do tempo, e a participação em vários eventos deste tipo, já consegue dominar a timidez? Hoje é mais fácil do que nas primeiras vezes?

O pânico de falar em publico continua, mas a gente aos poucos vai se acostumando. O monstro, que é como eu chamo a platéia, qualquer platéia, afinal não é tão monstruoso assim.

O senhor já disse que prefere tomar injeção a dar entrevistas. Por e-mail é menos penoso? Não gostar de falar com jornalistas faz parte da timidez?

Eu tenho uma grande dificuldade de expressão. Responder por escrito torna a entrevista mais facil para mim, para o entrevistador e para o leitor. Nada contra jornalistas.

Num país famoso por se ler pouco, o senhor é um dos autores que mais "vende" livros. Consegue identificar que características do seu trabalho são fundamentais para essa aceitação? É a presença do humor? O uso de um vocabulário mais próximo do coloquial?

Não sei qual é a receita. São geralmente textos curtos, de leitura fácil, com humor, e alguns eventuais mergulhos mais profundos.

SERVIÇO: IV Festival Literário da Pipa-Flipipa. Dias 22, 23 e 24 de novembro, praia da Pipa - av Baía dos Golfinhos (em frente à Bodega da Praça, nº 369 ). Entrada franca. Realização: Projeto Nação Potiguar e Fundação Hélio Galvão.

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Painel sobre Modernismo no Nordeste e a poética de Câmara Cascudo abrem o Flipipa 2012




“Não gosto de sertão verde, sertão de violeiro e de açude cheio, sertão de rio descendo lento, largo, limpo (...) Prefiro o sertão vermelho, bruto, bravo, com o couro da terra furado pelos serrotes hirtos, altos, secos, híspidos e a terra é cinza poalhando um sol de cobre...”  a estética do sertão, o contraste e a musicalidade contidos no poema “Não Gosto de Sertão Verde” são apenas alguns dos muitos aspectos que colocaram Luís da Câmara Cascudo nas rodas do movimento modernista brasileiro. O poema, publicado originalmente na revista Terra Roxa e Outras Terras, revista que teve entre colaboradores nomes como Mário de Andrade, será um dos temas do painel “O Modernismo na Poética de Câmara Cascudo”, que abre o 4º Festival Literário da Pipa-Flipipa, dia 22 de novembro, às 17h30, na Tenda dos Autores.

A abordagem modernista e a inclusão de Cascudo escritor serão visitados sob vários pontos de vista. Cinco convidados participam do Painel, três deles ligados ao Núcleo Câmara Cascudo de Estudos Norte-Rio-Grandenses, vinculado ao Departamento de Letras da UFRN, entre outros departamentos: Humberto Hermenegildo, Suely Costa, José Luiz Ferreira, além do pernambucano Neroaldo Pontes e do potiguar radicado no Rio de Janeiro, professor Nonato Gurgel, que será o mediador.

Especialista em Literatura brasileira, crítica literária e modernismo, além de pesquisador do Núcleo Câmara Cascudo, o professor Humberto Hermenegildo evocará as relações entre Câmara Cascudo e o pernambucano Joaquim Inojosa de Andrade através das correspondências trocadas pelos intelectuais, tendo ainda como interlocutor o paulista Mário de Andrade. Além de estabelecer vínculos entre os autores, as cartas apontam o cenário de difusão do movimento no Nordeste e este para o Brasil.

De acordo com o professor José Luiz Ferreira, o Painel vai percorrer o movimento modernista a partir de Cascudo. “Como o tempo será curto, cada convidado vai abordar um aspecto em formatos distintos. No meu caso, farei a leitura comentada do poema Não Gosto de Sertão Verde’”, comentou o professor. Neste poema, a própria temática do sertão é o elemento estético que o insere no modernismo. “Neste caso, Cascudo apresenta o sertão a partir desse aspecto duplo para a discussão, ou seja, é a tradição sertaneja que vai importar nesse momento”. José Luiz Ferreira é professor da área de Letras na UFERSA e atua em temas como tradição literária e cultural, modernismo, regionalismo e modernidade literária com estudos sobre produção literária de Luís da Câmara Cascudo nos anos de 1920 e 1930.

A leitura poética também será a escolha da escritora Maria Suely da Costa. Ela vai ler o poema “Banzo” (Subiu a toada/dos negros mocambos/ Sahiu a mandinga/de pretos retintos/vestidos de ganga. Quillengue, Loanda, Basuto e Marvanda/ fazendo munganga/ tentando chamêgo cantando a Changô...”). Suely é professora de Literatura e Teoria Literária (UEPB) e é colaboradora do Núcleo Câmara Cascudo, além de ter publicado e organizado vários livros com temas ligados ao modernismo.

O modernismo no Nordeste será a abordagem do pernambucano Neroaldo Pontes de Azevedo. Ex-reitor da Universidade Federal da Paraíba, Neroaldo é  um estudioso do modernismo no Nordeste.
A mediação do painel ficará a cargo de Nonato Gurgel, professor de Teoria Literária na Universidade Federal do Rio de Janeiro. Nonato também lançará durante o Flipipa o livro “Luvas na Marginália - escritos em torno da poética de Ana C”.

SOBRE O FESTIVAL
O Flipipa acontece de 22 a 24 de novembro na rua Baía dos Golfinhos. A entrada é franca. Entre os autores convidados estão Luís Fernando Veríssimo, Sérgio Santa’Anna. Reinaldo Moraes, João Paulo Cuenca, Tatiana Salem Levy, Zuenir Ventura, Joyce Pascowitch, Bené Fonteles, Ana Miranda, Nelson Xavier, Antônio Cícero, Rafael Gallo, além de vários escritores, intelectuais e jornalistas locais.  
O Flipipa 2012 é uma realização do Projeto Nação Potiguar e Fundação Hélio Galvão. Tem patrocínio da Ecocil, e parceiros Sistema Fecomércio/Sesc, Fiern/Sesi, Intertv, Sebrae RN, além de apoio cultural da Associação de Hoteis e Pousadas da Pipa, Hotel Ponta do Madeiro, Vitaminas FDC, Tribuna do Norte, Cooperativa Cultura Universitária, Jovem Pan, Sethas, Cabo Telecom, Mariz Comunicação, Bodega Brasil e Sebo Vermelho.

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Reinaldo Moraes, o sátiro das letras

Reinaldo Moraes


Em parceria com o jornal TRIBUNA DO NORTE, O FLIPIPA tem lançado semanalmente uma série de entrevistas com autores convidados para a 4ª edição do festival. Desta vez o sujeito da conversa é o escritor Reinaldo Moraes. Quem assina a entrevista é o jornalista, escritor e crítico literário Carlos de Souza. Nela, o autor de Abacaxi e Pornopopéia reafirma sua personalidade provocadora e a escrita mordaz e divertida que o colocou entre os autores mais cultuados da literatura contemporânea. Confira:

Por Carlos de Souza
jornalista

O escritor Reinaldo Moraes, 62, surgiu para o público leitor brasileiro com o livro Tanto Faz, em 1981, grande sucesso da coleção Cantadas Literárias, da Editora Brasiliense. Com personagens engraçados, irônicos, hedonistas e uma prosa fluida, saborosa mesmo, Reinaldo Moraes conquistou os corações e mentes de muita gente. Em seguida veio Abacaxi, livro que todo universitário descolado da época tinha que carregar na mochila. Agora Reinaldo Moraes está de volta com seu festejado novo sucesso intitulado Pornopopéia. É esse jeito bem-humorado e desbocado que ele vai trazer para o Festival Literário de Pipa deste ano, na sexta-feira 23, às 19h30, na mesa "À Margem, na literatura brasileira", tendo ainda a participação do jornalista Mario Ivo Cavalcanti. Confira aí nessa entrevista que ele me concedeu, ao que parece, a duras penas. Mas ficou muito engraçado, vejam aí.

Você surgiu para o público brasileiro com o livro Tanto Faz. O livro recebeu críticas no início, mas a minha geração (na faixa dos 50) adorou o livro, que acabou fazendo a cabeça de muita gente. Como você sobreviveu a isso? 

O mais espantoso seria saber como sobrevivi a mim mesmo.

Seu livro seguinte, Abacaxi, surgiu em meados da década de 1980, e fez muito sucesso também. A que você credita esse interesse? 

O porra do Abacaxi não fez sucesso nenhum na época do lançamento. Três malucos leram e gostaram. Uma maluca também, se bem me lembro. Nas Grandes Galerias, aqui em São Paulo, reduto punk ZL e ZN, tinha pra vender num daqueles andares, no fundo.

Depois você escreveu A Órbita dos Caracóis, de 2003, que é uma irônica, catastrófica, estória policial. Como foi a recepção do público e como você encarou isso tudo? 

Adorei a descrição: "Irônica, catastrófica, estória policial." É isso mesmo. E foi adotado em várias escolas. Fui dar palestrinhas pra molecada num monte delas. Não virou nenhum best-seller. Um micro best-seller, talvez. Já deu pra fazer vários supermercados com a grana. Mas, antes de emplacar nas escolas, alguns bons leitores adultos também tinham curtido o livro. Ou, pelo menos, gentilmente, me disseram isso. Pra mim, o rótulo praquilo é "aventura". Um rótulo desses, aqui no Brasil, já vira sinônimo de "juvenil", se não tiver personagem pipando crack e fazendo suruba. Pra mim tudo bem. Nâo tenho nada contra as juvenilidades auriverdes, como diria Mário de Andrade.

Aí você partiu para um livro de contos, Umidade, com a sua marca do humor e ironia fina. É verdade que escrever contos é mais difícil que outros gêneros? 

É mais rápido. Erra-se mais rápido também. Lê-se mais rápido. Esquece-se mais rápido. Com a exceção do conto longo

Seu livro Barata! é um livro infantil que fala sobre a mediocridade humana. O que é isso? Um Kafka tropical? 

Hahaha! É uma novelinha que usufrui da mesma vantagem das baratas: passa por baixo das portas.

Parece que você voltou ao sucesso do início de sua carreira literária com seu novo livro Pornopopéia, de 2009. Você mudou ou os leitores mudaram? 

Todos mudaram. Eu, por exemplo, morava em casa. Hoje moro em apartamento.

Tem muito sexo e drogas em seus romances. Seria uma mistura de jornalismo gonzo com Charles Bukowski? 

E mais umas pitadas de absoluta falta de vergonha.

De quais escritores brasileiros atuais você compraria um livro para ler em casa? 

Não compro, me dão. E nem sempre consigo ler. Gosto de vários, como chapas de bar e como escritores.

Você acha que tem muita panelinha de escritores no Brasil? 

Panelinha, não. Frigideira.  

Um país com as dimensões do Brasil corre o risco de ter literaturas ilhadas em suas regiões ou estados?

Somos todos um pouco ilhados pela língua portugobrasileira. Gande Sertão: Veredas virou uma novela de cáuboi em alemão, diz quem leu primeiro em português.

Sem sacanagem, escrever dá mais prazer ou dor? 

Dá uma escoliose filha da puta. E eventuais hemorróidas.

Você escreve também para a televisão. Como você explicaria fenômenos como a recente novela Avenida Brasil?  

Vi só meio capítulo no final, um bifão sensacional da Carminha dando um esbregue num padre. Achei sensacional. Mas não ando mais escrevendo pra TV.

Poderia falar um pouco sobre sua experiência como autor de novelas? 

Salsicharia pura. Você emenda uma salsicha na outra, espreme uma sai lágrimas, espreme outra sai porra, outra sai grana, e assim vai. Algumas você espreme e sai salsicha mesmo.

E sua experiência como roteirista de cinema?   

Como diz o roteirista, dramaturgo, romancista e o caralho a quatro, o Jean-Claude Carriére, pra escrever ficção de cinema a mando de produtor e diretor, o que você precisa não é de talento. É de estômago.

Você também é tradutor. Como é essa vivência de ser tradutor e autor ao mesmo tempo? 

Traduzir dá um tremendo lustre na sua capacidade redacional, aplique você isso onde e como quiser. Já traduzi uma porrada de coisa, e posso te afirmar: não sou um grande tradutor.

Você não tem um bom relacionamento com a crítica. Às vezes não dá vontade de dar umas porradas nesses caras?

Rapaz, vou te contar: meu último livro, o Pornopopéia, só recebeu elogio, e de gente fudidona, que eu nem vou ficar aqui enumerando de alegre. Até me senti meio besta. Mas já passou.

Você acha que os escritores atuais são mal-humorados ou são os leitores? 

Sei lá.  

Diga aí quais são seus futuros projetos. Tem algum em mente?  

Tenho: acabar isso aqui e abrir uma cerveja. Tá quente pra cacete aqui.

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