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Veja programação completa do VI Festival Literário da Pipa


VI FESTIVAL LITERÁRIO DA PIPA

 Dia 05/08 (pré-abertura FLIPIPA 2015)
Espaço de eventos Pipa Open Air
Assembleia Cultural Itinerante: Especial Flipipa
A programação é uma versão itinerante da Assembleia Cultural em parceria com o Flipipa.

18h - Apresentação da Orquestra Flauta Doce de Tibau do Sul

18h30 – Coco de Zambê do Mestre Geraldo e Dona Lídia e Pastoril de Cabeceiras



Carlos Zens se apresenta na quarta-feira, na pré abertura do festival

19h – Show “Do Mar ao Sertão”, de Carlos Zens
Espetáculo poético-sonoro, onde o artista insere citações poéticas de Câmara Cascudo, Mário de Andrade, Osvaldo Lamartine, Raquel de Queiroz, Patativa do Assaré, Guimarães Rosa, Graciliano Ramos, Renato Caldas, Euclides da Cunha e músicas de própria autoria e de outros compositores como Lenine, Jorge Mautner, Chico Antônio, Carlos Zens e Dácio Galvão.

E mais: Espaço Gastronômico Pipa Open Air (Caxangá), BiblioSesc – Biblioteca itinerante; espaço literário e estandes de livrarias e sebos.
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DIA 06/08
Tema do dia: “Poemas da Tarde” – Hélio Galvão
Estação de contos, com Nara Kelly 


08h - Recital com Maria Flor;

8h30 - Sessão de Contos com Nara Kelly;

9h30 - Contação de Histórias com Camille Carvalho, Paula Queiroz e Rafael Telles;

10h30 Ação Sesc de Incentivo à Leitura com os autores: César Ferrario (RN) e Patrícia Barbosa (RJ)

11h30 intervalo

13h30  Contação de Histórias com Camille Carvalho, Paula Queiroz e Rafael Telles;

Ator, diretor e autor César Ferrario falar sobre literatura e dramaturgia


14h30 Ação Sesc de Incentivo à Leitura com: César Ferrario (RN) e Patrícia Barbosa (RJ)

15h30 Dona Lídia e o Pastoril de Cabeceiras

18h – Intervenção teatral grupo Alegria, Alegria

17h às 18h30 - Espaço Jovens Escribas: Bate-papo com Geórgia Hackradt, Alessandra Macêdo e Themis Lima.

18h30  - Autógrafos no livro “Filho por amor: a história de Guido” de Geórgia Hackradt, Alessandra Macêdo

TENDA DOS AUTORES

Antônio Cícero

Jards Macalé

19h – Mesa literária 1: "Das Falanges de Máscaras a Real Grandeza"
Com o compositor, violonista, cantor e poeta Jards Macalé e o poeta, compositor e ensaísta Antônio Cícero

Algumas das mais icônicas letras da Música Popular Brasileira saíram da cabeça de Jards Anet da Silva, conhecido como Jards Macalé, 72 anos. Compositor, cantor, violonista, arranjador e ator, Macalé foi um dos atores mais presentes do movimento de contracultura brasileira da segunda metade do século 20 e até hoje, continua a produzir e influenciar a música brasileira. Compôs, sozinho ou com parceiros como Wally Salomão, o maior deles, e também Jorge Mautner, Torquato Neto, Xico Chaves e Capinam entre outros, algumas das mais importantes músicas já gravadas, como “Vapor Barato”, “Mal Secreto”, “Anjo Exterminado”, “Gothan City”, “Hotel de Estrelas”, “Revendo amigos”, “Movimento dos Barcos”. Pela primeira vez no Flipipa, Jards Macalé falará sobre essa parceria na mesa "Das Falanges de Máscaras a Real Grandeza", tendo como parceiro de debate o escritor, ensaísta e compositor Antônio Cícero. O encontro com Cícero não é por acaso. Assim como Macalé, Cícero teve uma grande aliança intelectual com Wally Salomão. Em 1994, organizou, em parceria com o poeta, o livro 'O relativismo enquanto visão do mundo', que reunia as conferências realizadas pelo projeto Banco Nacional de Ideias, além de ter estudos dedicado à poesia de Salomão.

Eduardo Jardim

Vicente Serejo


20h – Mesa literária 2: “Macunaíma e Chico Antônio na biografia de Mário de Andrade”
Com o escritor e filósofo Eduardo Jardim, biógrafo de Mário de Andrade; e o jornalista e cronista Vicente Serejo

Verdadeiro heroi intelectual do Brasil, o autor de ‘Macunaíma’ e ‘Amar, verbo intransitivo’ deixou obras seminais que ajudaram a moldar a cultura brasileira e continuam a iluminar o Brasil neste século 21. Entre as centenas de veredas de sua produção intelectual está o livro “O Turista Aprendiz” (1928), obra que o conecta intimamente com o Rio Grande do Norte. Mário de Andrade era amigo do etnógrafo e intelectual Luís da Câmara Cascudo, com o qual mantinha correspondência regular, e também próximo do crítico Antônio Bento.A convite de Cascudo, Mário visitou duas vezes o RN e, em uma delas, permaneceu 40 dias entre andanças por engenhos e  sertões do Seridó e do Oeste coletando documentos musicais e populares. Foi nessa viagem que conheceu o coquista Chico Antônio. A vida e a liberdade criadora do cantador encantam e inspiram o intelectual paulistano. As coincidências que envolvem o mítico herói sem caráter Macunaíma e o coquista potiguar será um dos temas abordados no FLIPIPA 2015. Para isso, foi convocado o escritor e filósofo Eduardo Jardim, estudioso de Mário de Andrade e autor da biografia “Eu sou Trezentos —Mário de Andrade, vida e obra” (Edições de Janeiro, 256 páginas).  Jardim foi quem abriu a Flip – Festa Literária Internacional de Paraty desde ano, falando sobre vida e obra de Mário de Andrade.


Paulo Betti é ator e diretor de cinema, televisão e teatro


21h00 - Mesa literária: "Dramaturgia e literatura: "De Antônio Conselheiro a Lamarca"
Com o ator Paulo Betti e o jornalista e escritor Cassiano Arruda Câmara


22h – Banda Choro do Elefante


07/08- SEXTA-FEIRA

Tema do dia: Derradeiras “Cartas da Praia”
8h   Contação de Histórias com Paula Medeiros

9h  Cia Cênica Ventura: “As Histórias de Dona Chica”

Gelson Bini

Marcel Matias

10h Ação Sesc de Incentivo à Leitura: Marcel Matias (RN): “Um estudo sobre Mário de Andrade”
Gelson Bini (SC)-  Guia de leitura para mediadores

11h30 Intervalo

13h30 Cia Ventura: “As Histórias de Dona Chica”

14h30 Ação Sesc de Incentivo à Leitura: Marcel Matias (RN)– Um estudo sobre Mário de Andrade
e Gelson Bini (SC)-  Guia de leitura para mediadores

17h às 18h30 - Espaço Jovens Espaço Jovens Escribas: Bate-papo com Marcelo de Cristo e Luiz Renato.

18h30 - Autógrafos nos livros “Tons de ver-te” de Marcelo de Cristo e “Desaprendizagem” de Luiz Renato   

TENDA DOS AUTORES
Willington Germano

Ticiano Duarte. Foto Canindé Soares

Woden Madruga. Foto Tribuna do Norte


19h – Mesa literária 3: “Cem anos de Djalma Maranhão”
Com Woden Madruga, Ticiano Duarte e Willington Germano

O encontro costura a linha do tempo do ex-prefeito Djalma Maranhão (Natal, 27 de novembro de 1915/ Montevidéu, 30 de julho de 1971), que foi professor, jornalista e prefeito eleito por voto direto. Promoveu uma série de iniciativas que marcaram o dinamismo de sua administração, sobretudo na área de educação. Imortalizou sua gestão com o projeto "Pé no Chão Também se Aprende a Ler", coordenada pelo professor Moacyr de Góes, então secretário de Educação, com o objetivo de erradicar o analfabetismo na capital. Em 1964, com o golpe militar, Djalma é preso e levado ao Quartel General por ter sido contrário aos ideais militares da época. Na Guarnição, o coronel Mendonça Lima lhe ofereceu liberdade em troca da renúncia ao cargo de prefeito. Djalma não aceitou e foi encaminhado à prisão. Passou pelas celas de Fernando de Noronha e, depois, em Recife. No mesmo ano, pediu exílio político e foi para Montevidéu.


Antônio Risério


21h – Mesa literária 4: “Cidade, Antropologia & poesia”
Com o antropólogo, poeta e historiador Antônio Risério (BA) e a antropóloga Wani Pereira (RN)




Marina Colasanti

Ângela Almeida


20h - Mesa Literária 5: “Campos e espaços do conto e da crônica”
Com a escritora e psicóloga Marina Colasanti (MG) e Ângela Almeida


08/08- SÁBADO

Tema do Dia: “Paralelos dos legados de Hélio Galvão e o Turista Aprendiz, de Mário de Andrade”

Lívio Oliveira


8h O poeta Lívio Oliveira abrindo os “Paralelos dos legados de Hélio Galvão e do Turista Aprendiz” com o mestre Pedro Benedito

9h Histórias com Vinícius Viramundos (PE)
Vinícius Viramundo


10:00 Ação Sesc de Incentivo à Leitura: Alexandre Alves (RN) e Vinícius Vira Mundo (PE)

11:30 INTERVALO

13:30  Contação de Histórias com Vinicius Viramundos (PE)

14:30 Ação Sesc de Incentivo à Leitura: Alexandre Alves (RN) e Vinícius Vira Mundo (PE)

15:30 Mesa dos paralelos: Livio Oliveira e Carlos Fialho: Os Legados de Hélio Galvão e Mário de Andrade e os  Novos caminhos na literatura do RN

17às 18h30 - Espaço Jovens Escribas: Bate-papo com Beatriz Madruga, Márcio Benjamin e Dinarte Assunção.

18h30 - Autógrafos nos livros “A Estação de Ana e outras estações” de José Delfino, “Aos pedaços com tudo” de Beatriz Madruga, “Maldito Sertão” de Márcio Benjamin e “Sobre Viver” de Dinarte Assunção.

18h: Encantaria: coreografia de Anísia Marques inspirada na gravação de “Boi Tungão” (de Chico Antônio) – registro gravado há mais de uma década pela Orquestra Sinfônica com arranjos de Danilo Guanais.

TENDA DOS AUTORES
Aldo Lopes

Demétrio Diniz. Foto Tribuna do Norte

Tácito Costa. Foto Rogério Vital


19h30: Mesa literária 6: Literatura e sertão: o regional e o universal
Com o romancista Aldo Lopes, o poeta e contista Demétrio Diniz e o jornalista Tácito Costa

Marcelino Freire

Jorge Mautner

20h30: Mesa literária 7:“Caminhos do Filho do Holocausto e do filho de Sertânia”
Com Jorge Mautner, Marcelino Freire e Mário Ivo Cavalcanti

Banda Qu4tro encerra programação. Foto: Duas Estúdio
22:00 Show Qu4tro: Grupo Qu4tro reúne os artistas potiguares Khrystal, José Fontes, Sami Tarik Soares e Ronaldo Freire de Lima. Apresenta músicas autorais e versões singulares de Jorge Mautner, Milton Nascimento, Dominguinhos, Genival Lacerda, entre outros.
Este show será no palco anexo à tenda principal.

Pipinha Literária - Tenda Sesc

Todos os dias
8h às 19h
Contação de Histórias, Vivências Literárias, Brinquedos e Brincadeiras Populares e Oficinas de Reciclagem/Origami/Arte em Vinil.

Pelo quarto ano, Bibliosesc participa do Flipipa


Bibliosesc - Biblioteca móvel, com o objetivo de formar leitores e encurtar a distância entre o leitor e o livro, disponibilizando acervo com mais de 3 mil livros durante todo o festival.
Horário de funcionamento: todos os dias das 8h30 às 21h

Rádio Difusora do Flipipa
Serviço de comunicação externa com informativo sobre a programação, leitura de textos, utilidade pública, música, entrevistas, etc.
Horário: 8h as 19h

Assalto Poético: com Joanisa Prates e Paula Medeiros
Bicicleta poética: Pelas ruas de Pipa serão espalhados textos literários, em formato de buquês de papel, cata-vento e flores.

Gnomos & trolls – a câmara secreta: filme sueco estará na mostra Cine Sesc

Cinesesc- Exibição de longas e curtas que compõem o acervo do Cine Sesc RN durante todos os dias do festival
Horário:19h
Mostra itinerante Festival Internacional Nueva Mirada.

O Festival é realizado pela Nueva Mirada, uma entidade privada (Argentina) sem fins lucrativos especializada em cultura, indústrias culturais e de comunicação dedicados a responder às necessidades de formação e desenvolvimento educacional e cultural de crianças e jovens.
Entre os objetivos do Festival é divulgação internacional e intercâmbio de obras audiovisuais, que conta para a diversidade cultural, a fim de contribuir para a educação de crianças e jovens.
   
06/08 – quinta-feira

08h30    Gnomos & trolls – a câmara secreta (Suécia) de Robert Rhodin; de 04 a 10 anos
10h    Curtas de animação: de 04 a 10 anos
13h30  Curtas de animação a partir de 11 anos
15h    Max envergonhado (Dinamarca) de Lotte Svendsen
à partir de 11 anos

18H30 Kérity, a mansão dos contos de Dominique Monféry
de 04 a 10 anos
20H Curtas de animação; de 04 a 10 anos
   
07/08 – sexta-feira
MOSTRA DE CINEMA NUEVA MIRADA PARA A INFÂNCIA E ADOLESCÊNCIA
08h30 Kérity, a mansão dos contos de Dominique Monféry
de 04 a 10 anos
10h Curtas de animação; de 04 a 10 anos
13h30  Toni, o garimpeiro (Alemanha) de Norbert Lechner
A partir de 11 anos
15h    O rei Siri (Sri Lanka) de Somaratne Dissanayake
A partir de 11 anos
18H30  Curtas de animação
de 04 a 10 anos
20H Gnomos & trolls – a câmara secreta (Suécia) de Robert Rhodin; de 04 a 10 anos
   
08/08 – sábado
08h30    Curtas de animação; de 04 a 10 anos
10h Curtas de animação; de 04 a 10 anos
13h30 Os crocodilos (Alemanha) de Cristian Ditter
A partir de 11 anos
15h Kérity, a mansão dos contos de Dominique Monféry
de 04 a 10 anos
18H30 Curtas de animação; de 04 a 10 anos
20H O rei Siri (Sri Lanka) de Somaratne Dissanayake
A partir de 11 anos




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Jards Macalé e Antônio Cícero se encontram para falar sobre parcerias, poesia e Waly Salomão

Jards Macalé fala sobre música, poesia e contracultura

Algumas das mais icônicas letras da Música Popular Brasileira saíram da cabeça de Jards Anet da Silva, conhecido como Jards Macalé, 72 anos. Compositor, cantor, violonista, arranjador e ator, Macalé foi um dos atores mais presentes do movimento de contracultura brasileira da segunda metade do século 20 e até hoje, continua a produzir e influenciar a música brasileira. Compôs, sozinho ou com parceiros como Wally Salomão, o maior deles, e também Jorge Mautner, Torquato Neto, Xico Chaves e Capinam entre outros, algumas das mais importantes músicas já gravadas, como “Vapor Barato”, “Mal Secreto”, “Anjo Exterminado”, “Gothan City”, “Hotel de Estrelas”, “Revendo amigos”, “Movimento dos Barcos”. 

Mas Foi com Wally Salomão que teve uma relação de amizade que transcendia as afinidades musicais. Em 2005, para marcar os dez anos sem a presença do amigo, reuniu o melhor do cancioneiro da dupla no álbum ‘Real Grandeza’, um documento vivo da genialidade de ambos. Na época, escreveu:

“Wally Sailormoon, 'Marinheiro da Lua' como se auto-intitulava, nasceu prá mim por volta de 1966/67 no Rio de Janeiro. Amigo de Caetano, apareceu lá em casa em Botafogo (R. Teresa Guimarães, casa 9) pequena vila onde eu morava. Expansivo, falando alto, gestos largos, um furacão em fina inteligência, de cara me deu a letra de ‘Anjo Exterminado’, nossa primeira musica. Na medida em q compunhamos as primeiras cancões, a amizade estreitava-se. 

Poeta ímpar, poeta guerreiro, me envolvia em seu entusiasmo, incentivando-me a mostrar nossa producão através de minha própria voz. Eu, timido, demorei a solta-la. Waly foi incansável neste propósito. Na gravacão de meu primeiro disco "Jards Macalé"(1972), foi vital sua presença. Dois anos depois entramos em estudio para gravar o segundo LP: "Aprender a Nadar", que concebemos juntos. Nele aprensentava a "linha de Morbeza Romântica" cantigas ao estilo dorido de Nelson Cavaquinho & Lupicinio Rodrigues, que culminou na "Rua Real Grandeza" onde, para alegria dele, inventei a voz que me faltava. A presença de Waly é fundamental na minha aventura musical. Parceiro vigoroso de versos poderosos, Waly deu sentido ao que buscavamos: a liberdade poética, a experimentacao radical.”

Pela primeira vez no Flipipa, Jards Macalé falará sobre essa parceria na mesa "Das Falanges de Máscaras a Real Grandeza", tendo como parceiro de debate o escritor, ensaísta e compositor Antônio Cícero. O encontro abrirá oficialmente o Festival Literário, dia 6 de agosto, às 19h30.

O encontro com Cícero não é por acaso. Assim como Macalé, Cícero teve uma grande aliança intelectual com Wally Salomão.  Em 1994, organizou, em parceria com o poeta, o livro 'O relativismo enquanto visão do mundo', que reunia as conferências realizadas pelo projeto Banco Nacional de Ideias, além de ter estudos dedicado à poesia de Salomão.




O poeta e ensáista Antônio Cícero está de volta ao Flipipa
 SOBRE JARDS MACALÉ

Carioca do bairro da Tijuca, nascido em 3 de março de 1943 ao pé do Morro da Formiga, Jards cresceu rodeado por música, desde o batuque do morro vizinho, Vicente Celestino e Gilda de Abreu, até as valsas, foxes e modinhas tocadas ao piano pela mãe, Dona Lígia. Aos 8 anos mudou-se para Ipanema onde ganhou o apelido de Macalé, nome do pior jogador do Botafogo na época. Em meados da década de 1950 começou a aprender a tocar violão acompanhando a vizinha Marilena, colocou sua bola murcha de lado, mas adotou o Macalé como sobrenome.

Estudou piano e orquestração com Guerra Peixe, violoncelo com Peter Dauelsberg, violão com Turíbio Santos e Jodacil Damasceno, análise musical com Esther Scliar.  Amigo dos músicos baianos, em 1966 dirigiu um show de Maria Bethânia. Acompanhou de perto o Tropicalismo e, em 1969, entrou no IV Festival Internacional da Canção, numa teatral apresentação do rock "Gotham City".

Em 1970, Macalé foi a Londres em encontro dos baianos exilados. Com músicas gravadas por Gal Costa ("Hotel das Estrelas", "Vapor Barato"), Maria Bethânia ("Anjo Exterminado" e "Movimento dos Barcos") e Clara Nunes ("O Mais-Que-Perfeito"), resolveu fazer, na volta para o Brasil, seu primeiro LP solo, "Jards Macalé" (1972). No ano seguinte, gravou ao vivo, com vários artistas, o "Banquete dos Mendigos", disco duplo para comemorar o 25º aniversário da Declaração Universal dos Direitos Humanos. Censurado, o álbum só saiu anos mais tarde. Em 1974, Macalé lançou o LP "Aprender a Nadar", apresentando a linha de morbeza (morbidez + beleza) romântica do parceiro Waly Salomão.

Num dos vários lances de irreverência de sua carreira, alugou uma das barcas da Cantareira para fazer o lançamento do disco e terminou o show jogando-se no mar. Em 1987, lançou o LP "Quatro Batutas e um Curinga" e curtiu um hiato fonográfico de 11 anos, rompido por "O Q Faço É Música". Nesse meio tempo, seu trabalho veio sendo reconhecido tanto pelos jovens músicos ("Gotham City" foi regravada pelo Camisa de Vênus e "Vapor Barato" pelo Rappa) quanto pelos veteranos (Moreira da Silva, rei do samba de breque, passou-lhe o chapéu).

O ano de 2015 recupera um importante momento da carreira compositor, com o lançamento pelo selo Discobertas, do box triplo “Banquete dos Mendigos”. O álbum foi gravado ao vivo no dia 10 de dezembro de 1973 no Museu de Arte Moderna do Rio Janeiro, em show de comemoração dos 25 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos.

Em plena ditadura militar, Macalé dirigiu e Xico Chaves arregimentou grandes nomes da música como Chico Buarque. Gonzaguinha, Edu Lobo, Paulinho da Viola, Jorge Mautner, Johnny Alf, Luis Melodia, Raul Seixas, Milton Nascimento, Dominguinhos, Gal Costa, Soma, Pedro Santos. O registro foi feito clandestinamente pelo engenheiro de som Maurice Hughes, mas o disco foi impedido pela censura em 1974 de chegar às lojas, sendo liberado para comercialização somente em 1979. A caixa lançada este ano foi produzida pelo pesquisador musical Marcelo Fróes a partir dos tapes originais do show, guardados por Macalé há 42 anos.

ANTÔNIO CÍCERO

Poeta, compositor, ensaísta e filósofo, Antônio Cícero nasceu em 1945, no Rio de Janeiro. Suas atividades se dividem entre o domínio da poesia e da filosofia. Na poesia, ganhou visibilidade ao ter poemas seus musicados pela irmã Marina Lima, iniciando uma rica parceria que renderia sucessos como “Fullgás” e “Pra começar”.

A música marcou também outros encontros com Lulu Santos, João Bosco, Wally Salomão e Caetano Veloso (‘Grafitti’). Na poesia escrita lançou Guardar (Record, 1996), A cidade e os livros (Record, 2002) e, em parceria com o artista plástico Luciano Figueiredo, O livro de sombras: pintura, cinema e poesia (+ 2 Editora, 2010). Em colaboração com Eucanaã Ferraz, editou a Nova antologia poética de Vinícius de Moraes (Cia das Letras, 2003) e com o poeta Waly Salomão, editou o livro O relativismo enquanto visão do mundo (Francisco Alves, 1994). Como pensador, publicou O mundo desde o fim (Francisco Alves, 1995) e Finalidades sem fim (Cia das Letras, 2005). Sobre Drummond, tema desta mesa, Cícero escreveu: “Evitando os fetiches da tradição e da vanguarda, Drummond criou uma obra inovadora que dialoga com formas clássicas.”

Fontes: Wikipedia, Site oficial de Jards Macalé, Notas Musicais

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